A POESIA NO ATERRO CANTA A MARSELHESA
A poesia agora trabalha em um aterro sanitário
e lá encontra sempre um relicário.
Outro dia mesmo, ela encontrou um velho iPod
recheado de um som francófono que explode.
E agora vai trabalhar à francesa,
ouvindo baixinho a Marselhesa;
e cantarola a boemia morta,
imaginando um bar decorado por Victor Horta.
A poesia agora e tiete do lixo jogado fora por Babette;
e trabalha de sol a sol
para transformar garrafas PET em flores de girassol.
Outro dia a poesia deu de cara com uma lata de foie gras,
mas queria mesmo era comer jabá;
e ainda tropeçou em uma garrafa de Ricard
e bebeu tudo com o amigo Mustafá.
A poesia faz o favor de separar o material jogado fora,
mas toma banho de chorume que chega das caçambas mundo afora.
A poesia só não entende
o consumo em excesso de um mundo ávido e doente.
Do livro La Casona de Zagucha.
Aline Gomes Souza
A poesia agora trabalha em um aterro sanitário
e lá encontra sempre um relicário.
Outro dia mesmo, ela encontrou um velho iPod
recheado de um som francófono que explode.
E agora vai trabalhar à francesa,
ouvindo baixinho a Marselhesa;
e cantarola a boemia morta,
imaginando um bar decorado por Victor Horta.
A poesia agora e tiete do lixo jogado fora por Babette;
e trabalha de sol a sol
para transformar garrafas PET em flores de girassol.
Outro dia a poesia deu de cara com uma lata de foie gras,
mas queria mesmo era comer jabá;
e ainda tropeçou em uma garrafa de Ricard
e bebeu tudo com o amigo Mustafá.
A poesia faz o favor de separar o material jogado fora,
mas toma banho de chorume que chega das caçambas mundo afora.
A poesia só não entende
o consumo em excesso de um mundo ávido e doente.
Do livro La Casona de Zagucha.
Aline Gomes Souza




