Welcome and make yourself poetic at home!
Aqui

a poesia

é de minhas

andorinhas!!


Quem sou eu

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Uma quase bonequinha de pano

27 dezembro, 2014

Ao falar ao telefone hoje com o meu Vovô Adelino para desejar-lhe parabéns pelos seus 101 anos de vida, ele mencionou uma palavra que amo e que me deixa muito feliz: BATUTA. Essa palavra me remete às muitas das minhas lembranças de infância, na fazenda do meu tio Evilázio, cercada do carinho de meu querido e saudoso papai e coberta de carinhos de mamãe, de meus irmãos, de meus tios, primos e de meus queridos avós. Essa palavra BATUTA que sempre espero ouvir de Vovô em todos os momentos que nos encontramos é mágica e renovadora! A bendita palavra dita hoje me fez lembrar uma poesia que escrevi há exatamente um ano em comemoração de seus 100 aninhos de vida. Antes da poesia posta, contudo, quero deixar claro que Vovô é ocidental, mas vive como os orientais, em especial os da ilha de Okinawa. Isso porque ele é um conhecedor da beleza e da importância que há nas notas de uma sanfona melodiosa, da necessidade e dos benefícios de comer pouco e de quando se está com fome, da importância do álcool com uma taça de vinho apenas para comemorações, dos malefícios do alcoolismo, da necessidade dos ensinamentos provenientes da leitura de livros (o número da sua extensa lista de livros lidos está casa dos 300), da importância da caridade da benevolência e do amor sobre todas as coisas, da essência de saborear as coisas, do benefício de caminhar de uma ponta da rua à outra e do mal que faz a vida com stress. Vovô tem estilo moderno, mas vive como os okinawans. VOVÔ, obrigada pelos ensinamentos diários. Adoro o "resfolego" da sua sanfona. Espero que o senhor se sinta bem e feliz, como sempre, hoje aos 101 anos de vida. Seja forte, pois saúde o senhor tem para mais de 116. Essa é para comemorar os 101!!!




Meu avô fala/va avisos
por Aline Gomes Souza

Desde o dia em que 1913
trouxe o meu avô:
a velha porteira tornou-se ente,
a música passou a habitar a aflição das valsas,
e tudo passou a tirar a sorte.
Até periquitinhos verdes.

Quando nada fala/va,
só a sua sanfona,
meu avô fala/va avisos:
Tipo assim: "Agora vou tocar 
Piquenique Trágico".

Meu avô toca/va doçuras
e dá/dava tratamento acústico 
aos fenômenos dos desiludidos. 

Entre uma valsa e outra,
momentos e saudades são/eram
banhados pelo chão de sons.

Entre um tango e o dedo,
no fim da nota, um outro aviso:
Tipo assim: "Agora vou tocar 
Santa Terezinha".

E o instante também ouve/ouvia,
ali, pertinho das datas.

Quando os olhos do meu avô
encontram/encontravam uma linha no tempo, estórias tomam/tomavam fôlego e mais uma vez meu avô fala/va avisos:
Tipo assim:
"Certa época, lá na Ressaca, encontrei uma índia".

E é assim, desde 1913
Meu avô fala avisos
Tipo assim:
"BATUTA!!!"

17 dezembro, 2014

A ilha volta à ribalta

papel chave
do bom papa
chico na vida
cubana à moda
mundana

gesto chic
do pequeno
obama
de assumir
nos ombros
prisões insanas

ato bonito
do grande
rauzito
de querer
para havana
uma vida
cigana


notas listas
à moda 
buena vista
aos grandes
del mondo
ruben, ibrahim
y compay segundo


toquem valsas
rumbas ou salsas


porque
a ilha toda 
volta
à ribalta

Aline Gomes Souza

16 dezembro, 2014


Como
assumir
um menos
de Kazimir?

O que sentir
no mais de
um Kazimir?



O nada é,
no mínimo,
o máximo.

O ser não é
nem de longe
o parecer









11 dezembro, 2014

Repetir não é determinado


E ele repetiu.
Bateu na mesma
tecla.

Ele pegou a
mesma
trilha.

Apertou de novo
a tecla play.
Como num replay!

Bis.
Eco.
Again?


Outra vez?


Mais
uma
vez?



Aline Gomes Souza

09 dezembro, 2014

Ilação de um oi infrato

ele foi ao extremo!
aquele enguiço!

fê-la dar ao diabo
a carda

ele a decepcionou!
aquele malnascido!

fê-la sentir soçobrar
toda a sua bondade

ele a desrespeitou por
completo!

aquele inseto!


fê-la trazer o inferno
para o coração.

ela, cedida ao
desespero,
cortou o voo
às esperanças.

e como corolário
de um oi infrato
ela...
babau! kaput!
partiu de avião
para Barcelona!

Aline Gomes Souza
foto do google







06 dezembro, 2014

Divulgando a fórmula de pitágoras

O amor desaparecera
da sua vista
e
ela cansou-se de ser
cupido de si mesma
e
passou a cuidar
da justeza poética
do mundo
de nos jours
ela ocupa-se
tão somente em
Bordar triângulos
retângulos
Fazer cálculos
geodésicos
Observar a curvatura
dos caminhos
Distinguir amplitudes
muito grandes
Querer para si
supernovas
Acompanhar a ida
das estrelas
para a noite
Sair do lugar
que lhe impede
de se manifestar
e
Divulgar a fórmula
de pitágoras

Aline Gomes Souza







04 dezembro, 2014

Amazônia Xadrez

A Amazônia hoje
é um tabuleiro
de xadrez

Quadrado sim
Quadrado não

Mata aqui
Quadrado vão

Quadrado sim
quadrados não

Desertos sim
Mata não

Fauna não
Flora tampouco


Mata não!
Não é pulmão,
mas tem chuvinha!

Mata não
Chora não 


Seringueira morta
Seringueiro mate 

Ama zona
Amarei

Só um por cento é mata
Muito por cento é sombra
 
Xeque-mato
Checkmate

Aline Gomes Souza

 

02 dezembro, 2014

God sabe das bees


Ah, saber Ele sabe!
Ah, Ele já sabe!
God tudo sabe!
God sabe das bees.
God sabe das crenças.
God has the key.
Einstein would have an answer.
But, God sabe das bees.

Man knows nothing.
Man destroys everything.

Einstein might have a clue.
But, God could save the queens.
God sabe das bees.
God has no answer.
But saw one near daqui.
Isso é o fim da picada!
Nem God levou ferroada!


But God sabe das bees.
Einstein sabe das answers
But God sabe das bees. 
Alguém liga uma centelha!
Please, God salve as abelhas! 
Ou não teremos mais pequi!
É, the bee trail chegou ao fim

Nem God sabe das answers!
E Einstein não está mais aqui!
Os homens não sabem.
Os ferrões somem.
Eles morrem de rir.
Elas morrem de dor.
Elas vão sumir.
Eles têm pavor.
Oh, Holy honey!
Oh, Holy bee!
Mas God sabe das bees!

Bees are getting a different trail.
Men are having an artificial existir.

Who's gonna save them?
Ah, God knows the answer!
Save God the bees!


Aline Gomes Souza


01 dezembro, 2014

Elogio à morte

querer pegar a vida para si é um ato ilógico
a vida não está sujeita aos desejos dos homens
a morte está
a vida age como um déspota esclarecido
viver é ditatorial

viver não é
morrer é

cessar de viver é lógico
a morte é democrática
morrer é justo

não há regras para o viver
viver não segue princípios lógicos
viver é violento
morrer é tranquilo

viver não tem razão
morrer tem

não se calcula o viver
morrer é calculado

a vida não tem voz ativa
a morte tem

Aline Gomes Souza



27 novembro, 2014

Anestesia Minas

Anestesia Minas

Não sinto outra coisa
senão Minas
Não ouço outra coisa
senão sinos
Não vejo outra coisa
senão serras
No gerar curvas barrocas nas paredes,
Minas suprime trechos tristes de trovas dantes sofridas
No gerar portas de duas cores,
Minas abre entradas para a observação das pedras 
No gerar lanternas de ferros retorcidos, 
Minas clareia a rua de pedra para os seres 
No esculpir serras na paisagem,
Minas enfeita o horizonte para o por do sol dos anjos
Não sou outra coisa
após Minas
No geral, não sou menos ou Minas
sou mais
Sou menos eu, sou mais Gerais
Aline Gomes Souza



22 novembro, 2014

Lista de compras com itens entre colchetes angulares



Lista de compras com itens entre colchetes angulares

<Removedor de antipatia>
<Amaciante de terror>
<Desinfestante de tédio>
<Tirador de mágoas>
<Lustra-misericórdia>
<Magneto de amor>
<Purificador de ações>
<Afeto em pó>
<Polidor de cortesia>
<Pano enxuga dor>
<Lava-pesar>
<Tira-agressão>
<Antisséptico retaliativo>
<Cortador de antipatia>
<Moderador de raiva>
<Modelador de gentileza>
<Aparelho de querer bem>
<Escova de modos>
<Fixador de afeto>
<Cortador de aversão>
<Tira-ódio>
<Porta-paz>


De Aline Gomes Souza


14 novembro, 2014

Rogo

horizonte orquestrado por cigarras
a mando de expectativas de rio cheio
implora aos rabos de cometa que intercedam
em favor dos peixes às nuvens displicentes

o rogo recai sobre a volta da música fluvial
que metaforiza a quebra de silêncio da margem
pertencente aos sapos, grilos e iniciar de tarde

o fazimento depois de pronto
o fazimento atendido
mata saudade de leito
de peixe
e de água

De Aline Gomes Souza

13 novembro, 2014


silogismo para o poeta pantaneiro

Silogismo para o "poeta pantaneiro"

Toda poesia de Manoel é de Barros
Manoel de Barros é poesia
Logo, manual de Manoel
é poesia de Barros

De Aline
Para Manoel

Veja: Só dez por cento é mentira

 Poemas de Manoel

"Poesia é voar fora da asa"

"Há um comportamento de eternidade nos caramujos"

 "A tarde está verde no olho das garças"

"Poesia não é para compreender mas para incorporar"

"Entender é parede: procure ser árvore."

 "Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina"

"Poesia é voar fora da asa."


23 outubro, 2014

Lucreria


Por onde se anda,
por aqui ou
por outras bandas.

Vende-se tudo
pela língua

e come-se tudo
pelas letras.

Tens fome?
Não tenha pressa.
Isso não me interessa.

O freguês
quer provar,
então que
peça.

O comércio
adotou
a escola
linguística
de valores

A língua
rende
mais
do que
a mandinga
com flores

O comerciante
preferiu
apelar para 

a morfologia.

E o comércio usa a sabedoria
dos trópicos
para tornar qualquer
coisa comum em substantivo
próprio.

É a febre do sufixo
para quem quer
comer sem
compromisso.




Eis o slogan:

Gourmetização
Ganha
Grandes
Grammies

E a poesia
morre de alegria
porque também lucra
com a terminologia.

Os estabelecimentos jogam
iscas
e as bocas
querem provar
as felizes
velhas faíscas.

A língua enriquece.
O povo empobrece.
O estômago agradece.

E tudo porque 
o lucro fétido
tomou aula de léxico.

A madame,
que antes lucrou
e que agora jamais
lucraria,
nem se arrepia
ou morre
por asfixia
com a nova
"sufixeria"
que abriram
no lugar da
antiga padaria.

Vivem felizes
os sufixos
-aria
e
-eria

Então?
Quer brigadeiro?
É na brigaderia.

Quer bolo?
É na boleria.


Quer peixe?
Esse, já era na peixaria.

Quer biscoito?
É na biscoiteria.

Quer saquê?
É na saqueria.

A língua agradece
pois a linguagem
no homem enriquece!
Ei, cuidado!
O sufixo, pobre coitado,
não apenas cobre
ou vende.
Ele também veda
a passagem alheia
da sereia pela venda.

Aline Gomes Souza

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Ça fait des nuits
Que j't'aime d'amour
Ça fait du temps
Qu'on se dit bonjour
Qu'on a du mal à s'retrouver
Qu'on a du mal à s'séparer [...]
Et qu'on se caresse les yeux
Qu'on ait raison, qu'on ait fort
L'amour a ouvert le feu [...]

Florent Pagny, Ça fait des nuits
"Hate the sin, love the sinner" - Gandhi

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