Por onde
se anda,
por aqui ou
por outras bandas.
Vende-se tudo
pela língua
e come-se tudo
pelas letras.
Tens fome?
Não tenha pressa.
Isso não me interessa.
O freguês
quer provar,
então que
peça.
O comércio
adotou
a escola
linguística
por aqui ou
por outras bandas.
Vende-se tudo
pela língua
e come-se tudo
pelas letras.
Tens fome?
Não tenha pressa.
Isso não me interessa.
O freguês
quer provar,
então que
peça.
O comércio
adotou
a escola
linguística
de valores
A língua
rende
mais
do que
a mandinga
A língua
rende
mais
do que
a mandinga
com
flores
O comerciante
preferiu
apelar para
a morfologia.
O comerciante
preferiu
apelar para
a morfologia.
E o
comércio usa a sabedoria
dos trópicos
para tornar qualquer
coisa comum em substantivo
próprio.
É a febre do sufixo
para quem quer
comer sem
compromisso.
Eis o slogan:
dos trópicos
para tornar qualquer
coisa comum em substantivo
próprio.
É a febre do sufixo
para quem quer
comer sem
compromisso.
Eis o slogan:
Gourmetização
Ganha
Grandes
Grammies
E a poesia
morre de alegria
porque também lucra
com a terminologia.
Os estabelecimentos jogam
iscas
e as bocas
querem provar
as felizes
velhas faíscas.
A língua enriquece.
O povo empobrece.
O estômago agradece.
Ganha
Grandes
Grammies
E a poesia
morre de alegria
porque também lucra
com a terminologia.
Os estabelecimentos jogam
iscas
e as bocas
querem provar
as felizes
velhas faíscas.
A língua enriquece.
O povo empobrece.
O estômago agradece.
E tudo
porque
o lucro fétido
tomou aula de léxico.
A madame,
o lucro fétido
tomou aula de léxico.
A madame,
que antes
lucrou
e que
agora jamais
lucraria,
nem se arrepia
ou morre
por asfixia
com a nova
"sufixeria"
que abriram
no lugar da
antiga padaria.
Vivem felizes
os sufixos
-aria
e
-eria
nem se arrepia
ou morre
por asfixia
com a nova
"sufixeria"
que abriram
no lugar da
antiga padaria.
Vivem felizes
os sufixos
-aria
e
-eria
Então?
Quer brigadeiro?
É na brigaderia.
Quer bolo?
É na boleria.
Quer peixe?
Esse, já era na peixaria.
Quer biscoito?
É na biscoiteria.
Quer saquê?
É na saqueria.
A língua agradece
pois a linguagem
no homem enriquece!
Ei, cuidado!
O sufixo, pobre coitado,
não apenas cobre
ou vende.
Quer brigadeiro?
É na brigaderia.
Quer bolo?
É na boleria.
Quer peixe?
Esse, já era na peixaria.
Quer biscoito?
É na biscoiteria.
Quer saquê?
É na saqueria.
A língua agradece
pois a linguagem
no homem enriquece!
Ei, cuidado!
O sufixo, pobre coitado,
não apenas cobre
ou vende.
Ele
também veda
a passagem alheia
da sereia pela venda.
Aline Gomes Souza
a passagem alheia
da sereia pela venda.
Aline Gomes Souza




