O amor é o homem-bomba que eclode.
Nasce, cresce, reproduz (ou não) e explode.
Antes de ser homem-bomba, o homem é bom,
só depois ele é lobisomem.
Primeiro o homem é criança, depois jovem e depois homem.
O homem ao caminhar pelas ruas,
encontra brincadeiras, sonhos, gostos, alvos e ondas
e também encontra bombas
O homem então brinca, sonha, gosta, surfa e alveja.
O homem então também almeja.
O homem então suspira.
O homem não desiste.
O homem então persiste.
O homem então rasteja.
O homem então sofre.
O homem então cospe
e então sai.
Do alvo,
ele vai atrás
Então o alvo vem.
Então o alvo vai.
E o alvo o atrai.
O alvo então se esvai.
O homem então se cansa.
Homem lá,
alvo ali,
bomba aqui.
Bomba aqui!
Bomba aqui!
Bomba sai...
O amor não nasceu ontem,
nem anteontem.
Muito menos o homem que explode.
Antes de ser bomba,
o amor foi Bashi-bazouk,
piloto de camicase,
e outros azes.
O alvo passa
e o homem enche os pulmões de ar.
Aerado, o amor não dorme,
sonha acordado com o alvo.
Depois, doa-se.
Asfixia-se.
Dedica-se e se desencanta.
Então ele se espanta
e sacrifica-se.
O homem bobeia e bombeia.
O homem-bomba,
bomba, bomba,
bomba e
BOOM!
O homem, com o afã de ser
personagem de epopeia,
suicida-se
numa vã onomatopeia!
Aline Gomes Souza





