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a poesia

é de minhas

andorinhas!!


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Uma quase bonequinha de pano

23 outubro, 2014

Lucreria


Por onde se anda,
por aqui ou
por outras bandas.

Vende-se tudo
pela língua

e come-se tudo
pelas letras.

Tens fome?
Não tenha pressa.
Isso não me interessa.

O freguês
quer provar,
então que
peça.

O comércio
adotou
a escola
linguística
de valores

A língua
rende
mais
do que
a mandinga
com flores

O comerciante
preferiu
apelar para 

a morfologia.

E o comércio usa a sabedoria
dos trópicos
para tornar qualquer
coisa comum em substantivo
próprio.

É a febre do sufixo
para quem quer
comer sem
compromisso.




Eis o slogan:

Gourmetização
Ganha
Grandes
Grammies

E a poesia
morre de alegria
porque também lucra
com a terminologia.

Os estabelecimentos jogam
iscas
e as bocas
querem provar
as felizes
velhas faíscas.

A língua enriquece.
O povo empobrece.
O estômago agradece.

E tudo porque 
o lucro fétido
tomou aula de léxico.

A madame,
que antes lucrou
e que agora jamais
lucraria,
nem se arrepia
ou morre
por asfixia
com a nova
"sufixeria"
que abriram
no lugar da
antiga padaria.

Vivem felizes
os sufixos
-aria
e
-eria

Então?
Quer brigadeiro?
É na brigaderia.

Quer bolo?
É na boleria.


Quer peixe?
Esse, já era na peixaria.

Quer biscoito?
É na biscoiteria.

Quer saquê?
É na saqueria.

A língua agradece
pois a linguagem
no homem enriquece!
Ei, cuidado!
O sufixo, pobre coitado,
não apenas cobre
ou vende.
Ele também veda
a passagem alheia
da sereia pela venda.

Aline Gomes Souza

17 outubro, 2014

Ai, Romeu

Ai, Romeu
meu fígado
doeu

quer?
Um Epocler?

Cuidado
redobrado
ao cubo
ou ao
quadrado

Se alguém
souber
do seu
fechecler

Se alguém
piscar
para
você
virar

Ai, Romeu
quem te
sucedeu?








Só de ida para o medo

A barbárie mundana
com cara de humana
leva-nos só de ida
a um novo estilo de vida

Quanto mais rápido e cedo
mais nos aproximamos
da galáxia do medo

O medo é nova onda
o medo é o novo
mundo-sonda

Há muitos medos
de segredos
há muitos rumores
pouco sedutores

há medos angustiantes
de imigrantes

medos de medidas
lunares
de gente que faz
malabares

medos politizados
de homens de Estado

logo na estreia
de encontrar uma ateia

medos banais
de relações
sentimentais

ilógico
do exame
oncológico

danado
da falta do
ar-condicionado

obscuro
do futuro

Aline Gomes Souza
















02 outubro, 2014

Se galinhas soubessem de poesias




Se galinhas soubessem de poesias
os répteis cantariam de galo
seria uma cantiga com um quê de
qualquer objeto caindo n’água
seria uma valsa entre líquido e sólido
seria um hip-hop com um quê de
língua de cachorro bebendo água
uma cantilena que agradaria anfíbios
quentes do bronze diário
mas as galinhas estão preocupadas
em esgaravatar o seu território
à procura de minhocas
à mercê de ciscos 

Aline Gomes Souza

30 setembro, 2014

Manifesto UTI

Tenho de começar por aqui!
Não preciso ir a Figueres para
propor o manifesto UTI

Não preciso evocar gurus daqui ou dali
Ou algum papa surrealista pré Dali
É...
Que eu fique por aqui!

Não preciso ir contra a sina
para crer que até o sulfato de morfina
ensina
 
Tenho de admitir em qualquer tom

ou aos berros práticos de André Breton

É isso:
é preciso saber
que tudo se cansa
menos o viver

Eu sei que a pele se cansa
que o estômago está perto da pança
que a pleura na corda balança e perde a dança


Que eu fique por aqui!
E não importa a maneira de sentir
pois isso depende da gravidade do existir

Mas tenho de declarar a contento
que muitos ensinamentos
não estão nos mandamentos
mas nas rajadas de vento


Licença, mas tenho de comentar o que vi
mesmo que rápido
ou em qualquer velocidade do existir

Sei que viver está bem ali
sobre a terra
e sob a atmosfera
Portanto também na UTI



Que eu fique por aqui!
Porque um quadro de alguém deitado
pintado
a óleo queimado
ensina que a respiração
falta na pintura



Porque tudo ensina por aqui
até mesmo o surrealismo
estirado nos leitos
da UTI.

Aline Gomes Souza

05 julho, 2014

Amar não é conciso

Não à nipônica
mesmo que  afônica
com peste bubônica
muito menos à lacônica
direi que te amo
Amar não é conciso!

Poesia de Aline Gomes Souza

04 julho, 2014

Hoje teve jogo do Brasil

Gostei de ver as formiguinhas do Castelão
dançando e ouvindo o hino cantado pela galera do timão

Sei que não é mole para o brasileiro chegar a ser um campeão
mas o destino gosta de samba e de vestir cueca samba-canção

Gostei de ver a nuvem parar para ver a bola entrar pelos dedos do goleirão
e sorrir ao ouvir o eco da torcida, comemorando o gol do Davisão

Sei que o Brasil tem ainda fome, sede e baixo IDH
mas sei que o destino gosta do jeito de viver do lado de cá

Doeu em mim a dor do Neymar
Mas gostei de ver o Brasil ganhar

Uns acontecidos são acontecimentos
outros acontecidos beiram descontentamentos

Nada como um dia
depois da poesia

Poesia para um jogo de Aline Gomes Souza




Aline au pays des merveilles

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Mais fumer c'est pas bon pour la santé

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L'amour irrésistible

Ça fait des nuits
Que j't'aime d'amour
Ça fait du temps
Qu'on se dit bonjour
Qu'on a du mal à s'retrouver
Qu'on a du mal à s'séparer [...]
Et qu'on se caresse les yeux
Qu'on ait raison, qu'on ait fort
L'amour a ouvert le feu [...]

Florent Pagny, Ça fait des nuits
"Hate the sin, love the sinner" - Gandhi

C´est comme ça.

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Aline Gomes Souza

Aqui não tenho
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a revelar
tenho apenas
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